Com nova loja, Rei do iPhone quer ‘modernizar’ a Santa Ifigênia

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Após trocar box de 8m² por prédio de dois andares na popular rua de comércio de eletrônicos de São Paulo, o empresário Wissam Atie, que ficou famoso por limpar um Iphone e não cobrar nada, espera atrair os apaixonados pela Apple.

No meio da rua Santa Ifigênia, tradicional centro de comércio de eletrônicos da capital paulista, uma assistência técnica se destaca. No lugar dos tradicionais boxes de poucos metros quadrados, atulhados em galerias com inúmeros concorrentes, a nova loja do Rei do iPhone ocupa um prédio de dois andares, com fachada própria. Recém-inaugurado no final de agosto, o espaço oferece cerca de 100 lugares de espera para seus clientes, enquanto esperam serem atendidos em um dos 15 guichês do local.

O nome por trás do sucesso é Wissam Mohamed Atie, o tal “rei do iPhone”. Fã da marca de Steve Jobs — como o Apple Watch em seu pulso e o iPad Pro em seu escritório não deixam negar — Atie, de 30 anos, cresceu cercado de eletrônicos. Após tentar diversos negócios, escolheu se especializar na manutenção de iPhones. Até abril de 2016, trabalhava em um cubículo de 8m² com mais dois funcionários na Santa Ifigênia, disputando espaço com negócios rivais. Foi quando “um textão de Facebook” mudou sua vida.

 

 

“Era uma sexta-feira, e um cliente veio reclamando que o celular não carregava mais. Vi que não era necessário abrir o aparelho para resolver o problema. Limpei a entrada e não cobrei nada. Ele até quis me dar uma gorjeta, mas só pedi para me indicar para os amigos”, conta Atie. À noite, quando chegou em casa, viu que o cliente havia feito uma publicação no Facebook.
Mais que isso: o post estava com mais de 2 mil curtidas. No final do domingo, já eram mais de 250 mil likes. (Hoje, a publicação original tem 335 mil likes, mais de 70 mil compartilhamentos e virou até motivo de vídeo no YouTube ensinando “as lições de marketing do Rei do iPhone”).
Na segunda-feira seguinte à publicação, o Rei do iPhone atendeu 150 pessoas. Na época, Atie conta que ia dormir pensando se aquele sucesso iria continuar a se repetir com o passar dos dias. E se repetiu. Pouco mais de um ano depois, conseguiu abrir o novo espaço.

 

Agora, Atie não conserta mais nada: ele passa o tempo administrando o negócio que já emprega 37 funcionários entre atendentes, técnicos e caixas. Por enquanto, o foco da empresa é em assistência. “O cliente chega, retira uma senha, vai até o técnico e obtém um orçamento. Se quiser prosseguir com o conserto, o aparelho fica pronto em 15 minutos e a pessoa se dirige para o caixa”, explica o empresário.

Em geral, a maior parte dos problemas envolvem telas quebradas ou baterias estufadas. Os valores variam entre R$100 e R$500, dependendo da complexidade e do modelo de iPhone. Por dia, a loja recebe de 100 a 200 clientes. “Muitos clientes não são cobrados, porque só precisam de orientação e suporte básicos”, diz o empresário. “Poucos são os que sabem 100% como o aparelho funciona”.

Formado em administração e pós-graduado em comércio exterior, o empresário cresceu atrás dos balcões da loja de eletrônicos de seu pai. Em 2007, abriu seu próprio negócio na Santa Ifigênia aproveitando a popularidade dos aparelhos de mp3 e mp4, capazes de tocar músicas e vídeos em qualquer lugar. Depois, passou a trabalhar com dispositivos e acessórios para carros –com a crise econômica de 2008, porém, o negócio quebrou. “Tentei ir para o Brás, fiquei um tempo trabalhando com jeans. Mas não deu certo, não adianta açougueiro tentar vender pão, não é?”, conta Atie, acrescentando que voltou para a rua de eletrônicos em 2013. Na época, foi abordado por um amigo que trabalhava com assistência técnica de smartphones. Em um mês, aprendeu a fazer reparos e criou a loja que o deixou famoso.

Planos. No futuro próximo, o empresário espera inaugurar um café na sala de espera e um espaço de palestras e workshops no segundo andar da loja. A ideia é criar um ponto de encontro para amantes de tecnologia na Santa Ifigênia. “No bairro, a gente encontra muitos objetos baratos, mas o serviço é de péssima qualidade, tem muita gambiarra. Na minha loja, quero oferecer algo diferente.”

Além do iPhone, Wissam Atie também quer trabalhar com reparo de iPads, mas ainda não domina totalmente a técnica para lidar com o produto. Mais para frente, pensa em vender produtos e acessórios exclusivos para os clientes donos de iPhones. A relação com a Apple, no entanto, é puramente de admiração. Não tem contato com a empresa, fez um curso para trabalhar com o smartphone da marca, mas não é uma assistência especializada e nem planeja ser nos próximos tempos.

Quando questionado do porquê trabalhar somente com iPhone, Atie afirma com veemência que é um apaixonado pela Apple e que quis se especializar no público da empresa. “O usuário iOS escolhe e ama a marca, por isso, requer um atendimento diferencial. O cara que usa Android muitas vezes só escolheu o sistema porque foi o que cabia no bolso. O cliente Apple não, ele entende a história da companhia, sabe quem foi Steve Jobs”.

Você conhece o Rei do Iphone? Já esteve por lá? Nos conte sua experiência!


 

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